
É uma realidade a integração das redes online na vida das pessoas nas diversas faixas etárias e em diferentes contextos sociais. Atualmente vem se levantando uma série de debates sobre o tempo de exposição e o tipo de conteúdo consumido nas mídias sociais. Trazer essas questões para o grupo de zero a 5 anos, é objeto deste artigo.
O Ministério da Educação firma a recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria(SBP), que menores de 2 anos tenham zero acesso às telas, com exceção de vídeo chamadas curtas para contato com familiares por exemplo; o máximo de uma hora/dia para crianças de 2 a 5 anos e o máximo de duas horas/dia para crianças de 6 a 10 anos. Mas, será que essa recomendação é compreendida por todos? Quais são as condições para ser cumprida de fato? Essas interrogações apontam para a responsabilidade dos adultos em relação às crianças.
Vivemos a era da hiperconectividade e aliado a isso há ainda o fato de que, para muitas famílias, as telas/celular funcionam como apoio, distração para que possam realizar tarefas e afazeres dentro do cotidiano familiar, comumente chamada de babá. Assim como também acontecia com o uso da tv nas escolas de educação infantil, utilizada como recurso pedagógico, porém sem propósito claro.
É preciso compreender que nos primeiros anos de vida bebês e crianças estão em pleno desenvolvimento e que o uso das telas impactam de modo negativo esse processo. Evidências científicas apontam que o uso precoce e excessivo do mundo digital pode ocasionar diversos atrasos no desenvolvimento cognitivo, de linguagem e emocional.
Chamamos a atenção para o conteúdo, acompanhamento e, pela decisão sobre o tempo e a forma de utilização dos dispositivos eletrônicos, ser de responsabilidade dos adultos que convivem com bebê e criança.
Expor a criança a esse tipo de consumo requer observar:
Quais as possibilidades diante desse cenário?
O que parece ser mais desafiador é o adulto se desprender do celular enquanto estiver com a criança. Não é simplesmente afastar as telas por completo, mas construir uma relação bem equilibrada.
A brincadeira ao ar livre e a convivência com a natureza constitui há muito tempo um direito da infância, então restringir o dia a dia dos pequenos a uma tela pode trazer consequências sérias ao desenvolvimento infantil com prejuízos na criatividade, na atenção, no sono e na saúde física e mental. Essa é a fase que o cérebro infantil mais precisa dos estímulos do mundo real e isso inclui as interações sociais, os vínculos afetivos e todas as possibilidades de movimentação corporal (pular, rolar, correr, subir, descer, etc.).
O uso de telas quando bem orientada em contextos intencionais e pontuais, sendo mediado por um adulto com práticas planejadas, não vai trazer prejuízos. Mas lembre-se que isso não substitui as brincadeiras e o contato com experiências concretas.
Para Daniela Couto, “a construção comportamental de uma pessoa precisa considerar as redes sociais vivas”, ou seja, as relações com pessoas reais. Ela explica que é imprescindível que a criança tenha contato com pessoas, para um desenvolvimento saudável e sem o uso excessivo das redes sociais digitais.
Olhe o que separamos para você
Governo Federal, Guia sobre Usos de Dispositivos Digitais – O Guia é um documento oficial com análises e recomendações sobre o tema, baseado em evidências científicas e nas melhores práticas internacionais, inteiramente comprometido com a construção de um ambiente digital mais saudável. Aqui você encontra orientações e ferramentas para lidar com a complexa relação das infâncias e adolescências com o mundo digital. Além disso, o Guia serve de base às políticas públicas nas áreas de saúde, educação, assistência social e proteção.
Texto de apoio: Como os influenciadores digitais geram impacto no desenvolvimento infantil – O Colab é o portal de conteúdos do Laboratório de Comunicação Digital da Faculdade de Comunicação e Artes da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (FCA / PUC Minas).