
imagem freepik, acesso em 10/02/26
O avanço tecnológico transformou profundamente a forma como nos comunicamos, consumimos informações e nos relacionamos. A pressão por presença constante nas plataformas digitais altera a forma como as pessoas percebem a si mesmas e aos outros, afetando as relações, autoestima e a própria construção da identidade.
Assim refletir o lugar da tecnologia na infância é um papel que nos cabe!
As mudanças tecnológicas impactam o modo de viver tanto de adultos quanto de crianças. Se em décadas anteriores, debates públicos criticavam, por exemplo, a erotização infantil ou o marketing direcionado às crianças — seja por meio de alimentos, brinquedos para esse público, hoje observa-se as próprias famílias expondo as crianças nas redes sociais, envolvendo inclusive a monetização.
A exposição sem filtros parece estar normalizada, sentimentos como raiva, conflitos, brigas e até episódios de violência, tornaram-se conteúdos compartilhados instantaneamente, em busca de visibilidade e quantidade de likes.
A forma como consumimos informação também mudou. A famosa IA – Inteligência Artificial, se por um lado organiza informações e cria novas oportunidades de produção de conhecimento, por outro, também potencializa a circulação acelerada de conteúdos sensacionalistas e fake news, cujo interesse, na maioria das vezes, é o de manipular as pessoas e gerar engajamento e reações rápidas.
Cada vez mais cedo, tablets, celulares, fazem parte do cotidiano infantil. Nesse contexto, a infância é atravessada pela lógica da aceleração, excesso de estímulos e de consumo.
Quando a criança está permanentemente entretida por telas e estímulos rápidos, há menos tempo para as descobertas, imaginação, brincar livremente e experiências sensoriais do mundo real.
O filósofo sul-coreano Byung-Chul Han reflete sobre esse cenário da hiperexposição e da aceleração digital que enfraquecem a capacidade de contemplação, reflexão e profundidade nas relações humanas. E propõe a necessidade de recuperar os sentidos — isto é, reconstruir formas de experiência que valorizem a pausa, a escuta, a atenção e o encontro real entre as pessoas, — elementos importantes para o desenvolvimento da imaginação, da capacidade de concentração e de construção de vínculos.
O grande nó, não está em achar que a tecnologia é algo ruim, mas na construção de um equilíbrio! Quando mediada por adultos e integrada a experiências reais — como brincadeiras, leitura, convivência e contato com a natureza — a tecnologia pode ser uma aliada no nosso dia a dia.
Assim, pensar no avanço tecnológico não significa rejeitar a inovação, mas refletir criticamente sobre seus usos, e encontrar um equilíbrio entre liberdade de expressão, responsabilidade social e preservação da dignidade humana em um mundo cada vez mais mediado por telas e algoritmos.
Há muito o que se falar sobre esse tema, por isso trataremos de outros aspectos nas próximas publicações.
Olhe o que separamos para você
HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. Tradução de Enio Paulo Giachini. 2. ed. ampl. Petrópolis, RJ: Vozes, 2017.
HAN, Byung-Chul. Sociedade da transparência. Tradução de Enio Paulo Giachini. Petrópolis, RJ.