

O que é o projeto de Zero a Um?
Um relato sobre as especificidades do desenvolvimento de zero a um ano de idade sob a perspectiva das vovós Daisy (Aurora) e Ana Celina (Davi) quanto ao jeito de cuidar, de alimentar, de colocar para dormir, de brincar, de interagir. Para melhor organizar a narrativa, o Coletivo Cais escolheu a Leitura, a Comunicação, o Movimento e a Introdução Alimentar, para relatar alguns episódios do dia a dia do Davi e da Aurora.
“É hora de papá… e eles já sabiam o que vinha pela frente; agitavam-se com os movimentos da vovó em busca dos utensílios e alimentos. Hummm! Quantos cheiros, cores e nham, nham, nham para os novos sabores. No começo, comendo com as mãos, os alimentos tão apreciados que ao final da refeição boa parte encontrava-se no chão!” (Coletivo Cais)
Tá na mesa
Seis meses… e era chegado o momento de introduzir outros alimentos para além do leite materno. Uma nova rotina se estabelece em nossas vidas, que de simples, descobrimos, não tinha nada!
Não se tratava apenas de satisfazer a fome do bebê mas, criar a cultura da alimentação, despertando os sentidos com cheiros, texturas, cores e sabores a cada refeição.

Há muito vínhamos conversando sobre como faríamos: mamadeira, copo ou colher, copo de vidro ou plástico, prato com divisória ou sem, talheres de silicone ou inox, tamanho e corte das frutas e legumes.
Passamos a fazer listas para a feira e mercado a fim de garantir a variedade de alimentos para a semana. Depois uma enorme expectativa de como seria a aceitação dos bebês.
A recomendação do pediatra era clara: “Nada de triturar e peneirar os alimentos e prepará-los de forma variada (cozido, assado, cru).” A lista de proibidos era enorme: “Sem sal, açúcar, mel, temperos fortes, gordura em excesso. Leite, só o materno até um ano.”
Optamos por alimentá-los no colo de início até que estivessem sentados com mais autonomia. E sim, comíamos junto com eles, numa conversa animada, cheia de ‘caras e bocas’.
Aos poucos os bebês foram reconhecendo esses momentos e aprendemos juntos sobre a temperatura dos alimentos que apeteciam o seu paladar, os seus apelos para pegar logo o alimento, as posições preferidas no colo e o quanto gostavam de apoiar os pezinhos na lateral da mesa. Ao ouvirem a palavra papá já sabiam para onde se dirigir junto com a impaciência da espera que não podia ser longa.
Bem sabemos que estar disponível nessa fase da vida, como avós, possibilitou fazer muitas coisas que não fizemos com nossos filhos, como o tempo de sentar-se à mesa, sem pressa e sem estarmos preocupadas com o horário de trabalho.
Nesse processo, resgatamos princípios importantes para o desenvolvimento infantil como a importância de alimentar-se sem o uso de telas. Também fomos em busca de discussões atualizadas sobre introdução alimentar, como por exemplo, as abordagens Pikler e BLW, onde o bebê tem uma participação ativa na prática de alimentar-se com autonomia.
Muitos dos hábitos construídos nesse primeiro ano de vida permanecem na rotina alimentar da Aurora e do Davi, como o prazer em sentar-se à mesa.
E agora o que fazer?

São muitas as opções!!! E não dá pra dizer que uma seja melhor que a outra. Há muitas coisas a se considerar: o tempo disponível, se a alimentação está acontecendo em casa ou na rua, o humor do bebê, hábitos da família, entre outros.
Mas uma coisa é certa, nunca abandone os princípios de autonomia, de acolhimento e de respeito à individualidade. O bebê aprende isso!
Listamos abaixo algumas dicas do que aprendemos com a nossa experiência com o Davi e a Aurora:
Lembre-se que você está vivendo uma experiência única com o seu bebê. Seja paciente e não deixe que seus medos e o caos aparente se sobressaiam à riqueza dessa etapa da vida da família.
Olhe o que separamos para você
“(…) desde a introdução alimentar deve-se incentivar a autonomia do bebê na hora da alimentação, ofertando, principalmente até os 2 anos, a maior variedade possível no cardápio infantil a fim de compor um leque de conhecimento de frutas, leguminosas, verduras, cereais, etc.. (…) Cada criança é única e tem o seu tempo à mesa, e os adultos envolvidos precisam ter paciência, sem apressar querendo que coma rápido, num ritmo que não é o seu. Reconhecer essa individualidade é aceitar que cada sujeito se constitui de aspectos próprios de sua cultura, das relações de afeto e condições fisiológicas. Afinal, com os adultos também não é assim? (…) Lembre-se, estamos falando da oferta de alimentos saudáveis. Ao escutar e respeitar as preferências, ensinamos que a formação de hábitos alimentares durante toda a infância pode ser também um momento prazeroso, como deve ser!” Bons hábitos alimentares começam na infância, texto do Coletivo Cais publicado no blog em 2025 – https://coletivocais.com.br/bons-habitos-alimentares-comecam-na-infancia/
BLW são as iniciais de baby-led weaning, que significa o “desmame guiado pelo bebê”. É uma abordagem utilizada na fase da introdução alimentar do bebê, que vai de seis meses a dois anos de idade. Nesse período o bebê deixa de se alimentar exclusivamente de leite materno ou fórmula infantil, e inicia a introdução de alimentos sólidos. O bebê passa a ter contato com uma variedade de alimentos, texturas e formatos, tamanhos e porções. Tem o seu desenvolvimento, ritmo e autonomia respeitados. Para saber mais, acesse: BLW (Baby-Led Weaning) – Wikipédia; Alimentação Complementar e BLW – Sociedade Brasileira de Pediatria e BLW Brasil App.
Para Emmi Pikler, a alimentação para a criança pequena é um momento que vai além do cuidado. É uma situação que não somente promove vínculos afetivos, como também, desenvolve a autonomia do bebê. A hora de comer é, pois, reconhecida como um momento especial e, espera-se que o bebê possa participar ativamente. Comer é mais que receber o alimento e, portanto, a comida deve ser oferecida numa rotina de cuidados, mas que, também considere o ritmo e o desenvolvimento da autonomia infantil. Para saber mais:
Artigo “Comer é muito mais do que alimentar o corpo” (2018), último acesso em 12/09/25: https://liberdadeparaosbebes.com.br/a-introducao-alimentar/
FALK, Judit (Org.). Educar os três primeiros anos: a experiência Pikler-Lóczy. 3ª Ed. São Carlos: Pedro e João Editores, 2021.