

“Quero aqui examinar a capacidade do indivíduo ficar só, partindo do pressuposto de que esta capacidade é um dos sinais mais importantes do amadurecimento do seu desenvolvimento emocional.” (Winnicott, 2022, p.31)
Vamos entender o pensamento de Winnicott sobre a capacidade para estar só.
A primeira infância é uma fase de intenso desenvolvimento. A qualidade das experiências vividas, das relações afetivas e o ambiente influenciam no desenvolvimento emocional da criança.
A capacidade de ficar só é uma aprendizagem conquistada. A experiência de estar só na presença de alguém é um dos sinais mais importantes do amadurecimento do desenvolvimento emocional. O uso da palavra ‘capacidade’ nos leva a pensar que não se trata de algo inato, mas um potencial infantil que será desenvolvido de acordo com a qualidade das relações e do ambiente.
Assim, o ambiente é representado por quem cuida que com sua presença, transmite segurança, confiança e sensibilidade em relação às necessidades do bebê, contribuindo dessa forma para a formação de uma base emocional segura.
Um exemplo que pode nos ajudar a entender esse conceito, é quando o bebê começa a engatinhar e explorar o ambiente em meio aos seus brinquedos que estão disponíveis no chão, e com liberdade para se locomover; se por acaso chora e logo é acolhido, percebe assim, que quem cuida continua presente. Dessa forma o sentimento de desconforto e de se sentir sozinho, dará lugar a um sentimento de conforto, confiança, segurança e prazer.
A repetição de experiências como essa, possibilita a construção de uma memória de presença. Com o tempo o bebê vai conquistando a capacidade de ficar só e cada vez mais envolvido na exploração do ambiente, pois sente que o seu tempo é respeitado e assim experimenta novos movimentos e sensações, podendo relaxar e devanear.
Contudo, isso não acontece de um dia para outro, a presença de quem o acompanha, que deve transmitir a confiança, exige uma continuidade, a fim de que a capacidade de ficar só possa estruturar-se.
O bebê não precisa de interação o tempo todo, mas sim, da proximidade e disponibilidade do adulto. Permita que ele desfrute de maneira tranquila de sua própria companhia, isso ensina muito sobre autoconfiança, autoestima e segurança.
Por isso, é fundamental o adulto romper a lógica de que precisa estar fazendo algo e direcionando tudo o tempo inteiro. Possibilitar tempo para o bebê explorar o ambiente, os materiais e o próprio corpo, é um aprendizado importante!
Olhe o que separamos para você
CHISSINI, J.M. e PEIXOTO C. A.Jr. Reflexões sobre a (in)capacidade de estar só. Dissertação de Mestrado/Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. RJ, 2022. 123p.
WINNICOTT, W.D. O Ambiente e os Processos de Maturação – Estudos sobre a teoria do desenvolvimento emocional. Porto Alegre, Editora Artmed, 1983.
WINNICOTT, W.D. A capacidade de ficar sozinho. IN: Processos de amadurecimento e ambiente facilitador. Ed. Ubu e Martins Fontes, 2022. p.31